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sábado, 15 de janeiro de 2005

A arte de preservar a arte de outros tempos

Preservar a memória cultural do país é a missão do Instituto Português de Conservação e Restauro (IPCR). Através das técnicas científicas mais avançadas, cerca de 30 profissionais especializados ajudam a reviver o passado, para que as gerações atuais e futuras compreendam a própria identidade.

Um grande número de importantes artefatos que vão ser restaurados no instituto revelam espantosas histórias de épocas distantes, e ao fim de cada projeto são minuciosamente documentados e publicados, possibilitando o acesso do público aos fatos, contextos e referências a estes implicados.

Este foi o caso de uma armadura japonesa, espólio do Museu Municipal de Figueira da Foz, cujo tratamento, segundo o chefe do Departamento de Documentação e Divulgação, Rui Ferreira da Silva, «foi um trabalho conjunto das áreas de mobiliário e de têxteis do Departamento de Conservação e do Departamento de Estudos de Materiais, pela grande variedade de materiais que a peça apresenta». Após um estudo aprofundado entre estes três departamentos, «foi possível datar e contextualizar a armadura como sendo do século XIX, no período dos samurais, constituindo uma valiosa fonte de informação sobre esta fascinante época», afirma Rui.

Além de democratizadoras, as atividades e estudos do Instituto distinguem as verdadeiras obras de artes dos falsos, sendo de valioso apoio para a Polícia Judiciária. O cuidado com que são feitas as investigações proporcionam imagens mais realistas dos acontecimentos de outrora.

Instituição de grandes iniciativas, o IPCR foi pioneiro na Europa na utilização de radiografias em obras de artes, em 1936. Com o mesmo espírito inovador, promove formações acadêmicas na área da restauração desde os anos 80, procurando uma integração entre os mais diversos campos que se relacionam com a preservação da memória cultural e histórica.

Os futuros engenheiros são sensibilizados para a busca de soluções criativas nas construções para não danificar os novos sítios arqueológicos. Os químicos e os físicos são treinados para ver além das substâncias que compõem cada material e compreender melhor o significado emotivo que determinada peça evoca.

O prestígio do Instituto é reconhecido internacionalmente, contando-se entre os seus colaboradores e estagiários várias nacionalidades, que vêm enriquecer e proporcionar importantes trocas de conhecimento. Entre os vários projetos que estão em andamento, destacam-se os Cristos Medievais, várias peças em madeira datadas do século XV, e os Retábulos de Évora, série de pinturas que estavam expostas numa capela. Além de recuperar os objetos móveis, como as esculturas e os quadros, o Instituto conta com projetos estratégicos de prevenção, visando proteger o patrimônio histórico e artístico dos edifícios religiosos.

Pouco tempo antes da criação oficial do IPCR, em 1965, todas as peças analisadas, que passaram por algum tipo de intervenção no Instituto ou as obras de arte observadas e tratadas nos seus locais de origem, em todas as regiões do país, deram origem a dossiers, que contam com um relatório escrito e documentação fotográfica e radiográfica. Atualmente, cerca de 15.000 imagens do Arquivo Técnico do IPCR, herdados do extinto Instituto José Figueiredo, que receberam tratamento digital, foram divulgados através da internet, disponibilizando um novo suporte à comunidade da conservação e restauro e a todos os investigadores da área da preservação.

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