A loja de antiquário de família surgiu como um novo conceito há cerca de dois anos. O contato, desde pequena, com o mundo da decoração e das antigüidades, a acompanhar o trabalho do seu pai, deram a Ana Salgueiro uma nova perspectiva em termos de design: iluminar para realçar o que de mais positivo cada peça tem.*De que forma é que a sua formação artística influi nos seus projetos de decoração?
A minha formação foi pluridisciplinar, sempre dentro do campo das artes, o que acabou por possibilitar o encontrar de um novo conceito de loja, o de cruzamento das peças antigas com o design contemporâneo. Muito provavelmente, teria tido mais resistências ou dificuldades se não tivesse tido esta trajectória singular e personalizada. Esta ideia surgiu a partir de experiências que fui tendo, incorporando, reflectindo sobre elas e que me pareceram interessantes, para se apostar depois num projecto, numa nova forma de rever o design de iluminação e antiguidade. A simbiose entre peças antigas e modernas é interessante porque permite ver como as mesmas podem funcionar dentro da nossa casa, resolvendo problemas que todos nós nos deparamos no quotidiano. Todos temos peças de família antigas ou que compramos e que são provenientes de referências culturais ou épocas históricas muito diversas, que temos de misturar. É por isto que esta nova forma é já um exercício de ajudar a encontrar soluções, de ver como é que elas se podem equacionar e jogar com o meio. E a loja acaba por ter quase o aspecto de uma casa, o que nos remete muito à atmosfera vivida no quotidiano.
O que foi o «OpenLight»? Como avalia o resultado desta iniciativa?
Dentro desta experiência de fazer misturas, deparei com a necessidade de abrir esta oferta aos criadores portugueses. Como só tínhamos candeeiros (abajures) estrangeiros, lembrei-me de organizar isto. A maneira que me pareceu mais directa e eficaz de chegar até eles foi directamente a de pôr um anúncio no jornal referindo que aceitava propostas de iluminação. Criei uma espécie de júri para comissariar a selecção destes projectos ao nível de qualidade da oferta e das exigências dos produtos que estão em exposição na loja. O mais interessante nesta iniciativa foi a diversidade de projectos que surgiram, em termos do grau de personalização, das suas áreas (designers, arquitectos, universitários), dos materiais dos quais eles partiam, como madeira, cerâmica e metal e, ainda, das múltiplas linguagens utilizadas. Além disso, constatei que não havia nenhuma iniciativa de âmbito exposicional só no âmbito do design de iluminação. Então, lembrei-me de convidar também os nomes consagrados do design, que aderiram muito favoravelmente a contemporizarem com os novos projectos. A nossa exposição teve duas vertentes: os projectos que são o produto dessa selecção e os projectos que já foram mostrados noutras exposições. O ponto mais positivo foi a divulgação de muitas propostas que de outra forma não teriam a visibilidade que tiveram.
Estão previstos novos projetos?
A Ana Salgueiro é actualmente uma loja de iluminação e que pretende ter uma oferta o mais diversificada possível em termos das marcas que representa, aumentar o número de marcas expostas e, ao mesmo tempo, diversificar aquilo que são os projectos de autores portugueses e que não tem necessariamente uma marca. Outro objectivo é fazer uma edição das peças expostas no «Open Light», que passam a fazer parte do leque de escolha do consumidor ao nível toda a loja.
Na sua opinião, quais são as perspectivas do setor da decoração para 2005?
No sector da iluminação, acho muito importante a valorização da luz enquanto variável da decoração. É uma dimensão que está cada vez mais conscientizada pelas pessoas que vem comprar iluminação. Na minha relação com o público percebi que são mais exigentes quanto à qualidade estética do candeeiro, mas compreendem também a importância deste ser eficaz para a função que tem. As minhas expectativas são muito optimistas porque em termos de perfil do público, o mesmo é mais formado e mais exigente do ponto de vista estético. No caso da iluminação, o consumidor compreende claramente que a qualidade estética tem que estar sempre aliada à funcionalidade. É cada vez mais evidente que a luz é muito importante também em termos de saúde, além do estilo de vida e do bem estar. Se por um lado há mais propostas, por outro, há mais exigência de conhecimento por parte do consumidor. E é com este objectivo que pretendo que seja o contributo da minha loja. Não é só vender candeeiros, é exactamente mostrar como a luz pode transformar completamente a casa e a nossa forma de estar dentro deste espaço, e divulgar propostas diversificadas.
*Entrevista publicada inicialmente na revista Portugal Actual, de Lisboa, Portugal.
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