Diploma para jornalistas: bobagem ou elitismo? - Fatos Atuais

Fatos Atuais

NotĆ­cias, Reportagens, Artigos, Entrevistas

test banner

Breaking

Home Top Ad

Responsive Ads Here

Post Top Ad

Responsive Ads Here

domingo, 23 de julho de 2006

Diploma para jornalistas: bobagem ou elitismo?

Num artigo de opiniĆ£o publicado no dia 14 de julho no jornal Globo, Luiz Garcia acusa o projeto de lei sobre a obrigatoriedade do diploma no jornalismo de uma «bobagem». O autor afirma que o Brasil Ć© o Ćŗnico paĆ­s «democrĆ”tico» a adotar esta prĆ”tica, chamando o processo de «camisa-de-forƧa» que tende a aprisionar um jornalismo que jĆ” de si Ć© considerado «preso» ao elitismo.

Ɖ fato que os jornalistas chegam
atualmente ao mercado de trabalho com poucas chances de sucesso, mesmo aqueles que se formam em boas escolas. Aqueles que se formaram ou estĆ£o se formando numa das maiores faculdades particulares do paĆ­s, conhecida carinhosamente como «McDonalds» da educação, pois a mesma tem campus espalhados por quase todos os bairros do Rio de Janeiro, provavelmente estarĆ£o em muito pior situação.

Mas hĆ” quem acredita que revisores ainda precisam ter o diploma de jornalismo, pois eles precisam saber como um texto deve ser escrito «jornalisticamente». AtĆ© porque ter excelentes qualificaƧƵes na escrita nĆ£o Ć© quesito, porque jornalismo nĆ£o Ć©, a grosso modo, literatura. Muitos tem de estudar muito para que os seus textos passem a ser imparciais para cumprir a sua tarefa: informar.

Ɖ certo que os editores precisam ter excelentes conhecimentos da lĆ­ngua e, nĆ£o menos importante, do negócio. Uma alternativa seria continuar a ser exigida a faculdade a quem tem como objetivo atingir essas posiƧƵes, para instruĆ­-los nestes aspectos, e depois incentivar uma pós-graduação que enfoque especificamente as habilidades de um editor.

O que acaba por ser vĆ”lido para todas as outras profissƵes «jornalĆ­sticas», como a de diagramador ou a do revisor. Um engenheiro eletrĆ“nico, por exemplo, cursa a faculdade e sai de lĆ” sem outras especificaƧƵes a nĆ£o ser a de engenheiro. Mas esta pessoa, durante o curso ou atĆ© mesmo antes, tomou um profundo interesse por micro-eletrĆ“nica. O que ele faz? Um mestrado nesta Ć”rea.

A continuidade dos estudos é que deveria ser estimulada, neste caso, mas em outros a completa extinção do diploma para um jornalista poderia realmente ser repensado. Poderiam ser criados cursos de pós-graduação para o revisor (com enfoque na língua em que ele quer atuar), para o diagramador (ele precisa saber como funciona um jornal para poder tomar decisões sobre como destacar essa ou aquela notícia, além de usar os programas que o ofício exige) e mais importante ainda, para o próprio sujeito que quer trabalhar como jornalista, no sentido de especializÔ-lo em algum assunto, editoria ou estilo.

Se uma formação em História habilitaria um profissional da informação a falar mais profundamente sobre os conflitos no Oriente Médio, a formação extra em Jornalismo o habilitaria a falar desses assuntos com a profundidade e a imparcialidade necessÔrias e numa linguagem que alcança um maior número de pessoas, tornando o processo ainda mais democrÔtico.

Nenhum comentƔrio:

Post Bottom Ad

Responsive Ads Here