Num artigo de opiniĆ£o publicado no dia 14 de julho no jornal Globo, Luiz Garcia acusa o projeto de lei sobre a obrigatoriedade do diploma no jornalismo de uma «bobagem». O autor afirma que o Brasil Ć© o Ćŗnico paĆs «democrĆ”tico» a adotar esta prĆ”tica, chamando o processo de «camisa-de-forƧa» que tende a aprisionar um jornalismo que jĆ” de si Ć© considerado «preso» ao elitismo.Ć fato que os jornalistas chegam atualmente ao mercado de trabalho com poucas chances de sucesso, mesmo aqueles que se formam em boas escolas. Aqueles que se formaram ou estĆ£o se formando numa das maiores faculdades particulares do paĆs, conhecida carinhosamente como «McDonalds» da educação, pois a mesma tem campus espalhados por quase todos os bairros do Rio de Janeiro, provavelmente estarĆ£o em muito pior situação.
Mas hĆ” quem acredita que revisores ainda precisam ter o diploma de jornalismo, pois eles precisam saber como um texto deve ser escrito «jornalisticamente». AtĆ© porque ter excelentes qualificaƧƵes na escrita nĆ£o Ć© quesito, porque jornalismo nĆ£o Ć©, a grosso modo, literatura. Muitos tem de estudar muito para que os seus textos passem a ser imparciais para cumprir a sua tarefa: informar.
Ć certo que os editores precisam ter excelentes conhecimentos da lĆngua e, nĆ£o menos importante, do negócio. Uma alternativa seria continuar a ser exigida a faculdade a quem tem como objetivo atingir essas posiƧƵes, para instruĆ-los nestes aspectos, e depois incentivar uma pós-graduação que enfoque especificamente as habilidades de um editor.
O que acaba por ser vĆ”lido para todas as outras profissƵes «jornalĆsticas», como a de diagramador ou a do revisor. Um engenheiro eletrĆ“nico, por exemplo, cursa a faculdade e sai de lĆ” sem outras especificaƧƵes a nĆ£o ser a de engenheiro. Mas esta pessoa, durante o curso ou atĆ© mesmo antes, tomou um profundo interesse por micro-eletrĆ“nica. O que ele faz? Um mestrado nesta Ć”rea.
A continuidade dos estudos Ć© que deveria ser estimulada, neste caso, mas em outros a completa extinção do diploma para um jornalista poderia realmente ser repensado. Poderiam ser criados cursos de pós-graduação para o revisor (com enfoque na lĆngua em que ele quer atuar), para o diagramador (ele precisa saber como funciona um jornal para poder tomar decisƵes sobre como destacar essa ou aquela notĆcia, alĆ©m de usar os programas que o ofĆcio exige) e mais importante ainda, para o próprio sujeito que quer trabalhar como jornalista, no sentido de especializĆ”-lo em algum assunto, editoria ou estilo.
Se uma formação em História habilitaria um profissional da informação a falar mais profundamente sobre os conflitos no Oriente Médio, a formação extra em Jornalismo o habilitaria a falar desses assuntos com a profundidade e a imparcialidade necessÔrias e numa linguagem que alcança um maior número de pessoas, tornando o processo ainda mais democrÔtico.
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