Quem mora em Nova Iguaçu ou São João do Meriti, acorda todo dia às 5 h, precisa pegar até três transportes públicos diferentes para chegar ao trabalho às 8 h e ganha menos de R$4.600,00 continua definitivamente excluído. E mesmo para as primeiras já citadas anteriormente, a menos que tenham feito uma reserva mensal durante algum tempo, R$ 1.440,00 representa ainda uma quantia bastante vultosa.
Muitos leitores talvez gostassem de saber por onde anda o projeto do computador a R$ 500,00, que com um pouco de imaginação poderia ser vendido com o sistema operacional Linux (que é gratuito e possui boas versões com bastante funcionalidades, inclusive com um programa «genérico» do famoso Messenger do Hotmail) em vez do Windows.
Mas talvez tenham razão. Num país onde a educação formal e pública mal consegue levar alunos a completarem o 2º grau, quanto mais prepará-los para o disputado vestibular das universidades gratuitas (que irônicamente possui mais alunos das classes mais abastadas do que as universidades privadas), não podemos esperar que pessoas sem qualquer contato anterior com a informática possam lidar com um sistema operacional que, até certo ponto, é elitista, pois alguns programas básicos do Linux (os similares ao Word ou ao Photoshop, por exemplo) necessitam de conhecimentos mais profundos de programação DOS para serem instalados no computador que usa esta interface. Infelizmente, há mais pessoas no Brasil que precisam pensar no arroz com feijão de todo dia e no pagamento da conta de luz do que em cursos de informática.
Ou seja, a menos que a venda de computadores com preços realmente mais acessíveis também disponibilize gratuitamente a merecida formação dos que tem menos recursos, não há nenhum processo relevante do governo brasileiro de inclusão digital.
Como costumava dizer uma saudosa amiga, «Se eu tivesse R$ 1.440,00 na mão, eu casava, não comprava computador nenhum». Ao que parece, a exclusão ou inclusão das pessoas em qualquer sistema ou grupo depende muito das prioridades de cada um.
Acesso à internet na zona rural
A companhia norueguesa de telecomunicações por satélite Nera conseguiu um contrato público para fornecer acesso à internet em zonas rurais da América Latina, projeto que será realizado pela Nera América Latina Ltda., filial brasileira da empresa, que divulgou uma nota no dia 7 de março de 2005.
O contrato inclui a implantação de uma portal de comunicações por satélite e um amplo número de terminais, que oferecerão serviços de telefonia e acesso à internet rápida. Vários países sul-americanos apresentaram ofertas públicas com o objetivo de ampliar o acesso à internet em zonas rurais, onde é difícil o acesso a novas tecnologias.
A companhia deve começar a entrega dos terminais a partir deste mês e espera completar toda a operação até o fim do ano. Segundo o jornal online Último Segundo, o presidente de Nera Satcom, Terje Ask-Henriksen teria afirmado que a empresa está satisfeita com a importância cada vez maior dos serviços por satélite para o acesso à internet em zonas remotas disponibilizados pela Nera.
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