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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Curandeiros de plantão

Por Andreia Nobre

Compreender os sistemas de saúde e educacional britânicos pode ser uma verdadeira dor de cabeça. Partindo do princípio que saúde é uma prioridade quando se está grávida, ela será tratada aqui como o assunto principal.

Fatos: o sistema de saúde britânico, fora algumas raras exceções, é gratuito. Todos têm direito a se registrarem com um médico/clínico geral, sendo residentes permanentes aqui ou não. Parece ótimo a princípio, mas nem tudo são flores. Enquanto no sistema de saúde brasileiro você vai a um clínico geral para que este recomende um especialista para problemas específicos, aqui você fica pelo clínico geral até que a situação se resolva por si mesma, de uma maneira ou de outra, ou até alguém perder a paciência, o que vier primeiro. Coisa rara na Escócia é alguém conseguir falar com um médico especializado.

Exemplo clássico disso é o caso de uma brasileira, que voltou recentemente ao país e viveu aqui por três anos com o marido enquanto este fazia um PHD na Universidade de Edimburgo. Ela sofria de uma condição que aumentava consideravelmente a oleosidade do seu couro cabeludo, causando a obstrução de poros. A massa oleosa resultante desse aumento endurecia e acumulava, criando caroços de até 2 cm de diâmetro. Ao que parece, ela viveu com o problema por pelo menos dois anos sem que nada fosse feito a respeito e não conseguiu ser vista por nenhum médico especializado, só o clínico geral que havia sido designado para o casal e provavelmente alguns enfermeiros, que em muitas situações tem um papel aqui muito mais importante do que deveriam, na opinião de outros brasileiros na Escócia.

Como ela, há vários outros brasileiros que já passaram por experiências semelhantes e que, no final, optaram por fazer algum tratamento enquanto estivessem de férias no Brasil para conseguir alívio para o seu sofrimento. Eu mesma passei ao menos outros dois anos (um em Portugal e outro na Escócia) com um problema no olho direito que nunca foi devidamente diagnosticado. Pode ter sido um tersol, conjuntivite ou um calásio, e estas foram as respostas dos oculistas particulares que consultei em Portugal. Aqui, depois de muita luta e sofrimento, consegui atendimento especializado numa clínica ótica: fui tratada por enfermeiras (olha elas aí de novo) treinadas em tratamento ocular. Fico pensando se médico aqui não é extremamente caro e é por isso que, quanto mais especializado ele/ela é, menos chances eles têm de serem contratados pelos serviços públicos de saúde.

Continuando a minha saga, em dezembro completo quatro meses de gravidez, e segundo fiquei sabendo, os escoceses consideram a gravidez um processo natural. Porque gravidez não é considerada uma doença, não vou ver um único médico (ginecologista ou obstetra) durante todo o processo, enquanto eu e o bebê estivermos bem de saúde. Aqui as mulheres grávidas lidam com parteiras.

Calma. A minha clínica geral, ao saber o que são parteiras no Brasil, comentou como as mesmas seriam chamadas/descritas por aqui: a witch doctor, uma curandeira. Uma das parteiras da equipe que cuida da minha gravidez, ao ouvir a história, imediatamente pôs em prática o conhecido bom humor escocês, lamentando não ter trazido o seu chapéu (de bruxa) no dia da consulta. Brincadeiras à parte, as parteiras aqui são enfermeiras qualificadas e treinadas em partos.

Curiosidade: não há farmácias 24h no Reino Unido. Mas há super e hipermercados 24h, e todos eles possuem uma seção farmacêutica onde analgésicos, xarope para tosse, band-aids, gaze, anti-sépticos, descongestionantes nasais e outros produtos para pequenas indisposições do dia-a-dia podem ser encontrados. Tudo o que não precisar de prescrição médica, é claro.

E há produtos para todos os bolsos, já que aqui as grandes redes de supermercados possuem, geralmente, todo o tipo de produto da própria marca. Inclusive analgésicos, xarope para tosse, band-aids, até complexos multi-vitamínicos, semelhantes ao Centrum. E ainda bem, pois aqui, para se conseguir um remédio para doenças mais graves, é necessário prescrição, provavelmente em três vias, carimbadas pelo ministro da saúde e assinadas pela rainha. Então, nada de calmantes, remédios para enjoo ou analgésicos específicos para cólicas menstruais sem prescrição.


Atualização de dezembro de 2011: o sistema de saúde daqui funciona muito bem quando o assunto é emergência. Meu filho teve um corte na testa aos 3 anos e em 3 horas ele já estava em casa, com 5 pontos. 

2 comentários:

Renata disse...

Este post é bem explicativo! Esclarece muito bem algumas dúvidas para nós Brasileiras fora do Brasil, acredito que ainda estou assustada, rs mais buscando informações e experiencias de outras mães tudo vai ficando mais claro! Ainda sim.. dúvidas e mais dúvidas !
Seu Blog está me ajudando muito! :)

Renata disse...

Ps: Precisando de um Médico Dentista Cirurgião portugues, que não consulta internet nas consultas meu marido é um deles! Querendo mais detalhes a clinica onde ele trabalha´fica em Edinburgh, e atende pelo NHS e privado caso tenham preferencia, qualquer detalhes eu passo o site da clinica!

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