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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quem vai pagar a conta

De volta ao Reino Unido, depois de viver mais nove meses em Portugal, descubro que a burocracia é uma praga que atinge mais países do que eu imaginava. Nosso filho nasceu em Edimburgo, na Escócia, onde morávamos desde 2006. Como o pai tem nacionalidade portuguesa e Portugal, assim como o Reino Unido, faz parte da União Europeia, tivemos automaticamente o direito de receber benefícios financeiros.*



Em compensação, o garoto passou os primeiros três meses de sua jovem vida sem possuir uma única nacionalidade. Isto porque a maioria dos países europeus não concede a sua cidadania assim de mão beijada. Não é como no Brasil ou nos EUA, onde quem lá nascer é automaticamente um cidadão, dificilmente importando a situação legal dos pais da criança. Ele teve direito a um registro de nascimento, documento necessário para que ele pudesse ser registrado como brasileiro e português.

Já em Portugal, não tivemos qualquer problema para registrar o bebê como português e tirar a identidade – que inclusive serve como passaporte dentro da União Europeia, embora ele ainda não tenha tido o direito de receber o benefício que o governo oferece – faltou o número da previdência social da mãe. Não tenho nacionalidade portuguesa e nunca trabalhei em Portugal. E isso apesar de estar casada há seis anos e meio com um cidadão português.

A lei lusa diz que os parceiros podem pedir a nacionalidade após três anos de união. Mas levei um ano e meio só para receber uma autorização de residência – motivo principal de me negarem trabalho – e já se vão mais seis meses desde que finalmente consegui que aceitassem a minha candidatura à nacionalidade portuguesa, após quase quatro anos juntando toda a papelada que eles exigem.

Mais complicado que isso, só o sistema eleitoral mesmo. No ano passado, após muitas reclamações sobre o desempenho de Gordon Brown, o ex-primeiro ministro britânico, foram convocadas novas eleições. O vencedor - um pouco como Barack Obama, nos EUA – não teve a maioria absoluta. O presidente americano teve um pouco mais de sorte, porém: nos Estados Unidos, ganha a maioria dos estados, ou colégios eleitorais, e não do número real de votantes.

O candidato com maior votação no Reino Unido, por sua vez, teve de fazer um acordo com um dos três partidos políticos – já que Brown, do partido trabalhista, renunciou - para juntar os seus votos com os deles e finalmente conseguir a maioria. Um pouco como a Marina no Brasil no ano passado, com a diferença que Nick Clegg, do partido Liberal, foi meio que obrigado se juntar ao David Cameron, o atual primeiro ministro. A disputa não marcou apenas o primeiro parlamento sem maioria em 30 anos, mas uma aliança improvável: Cameron é do partido Conservador!

O que só prova que, no fim, as coisas tem que andar, nem que seja juntando duas caras feias na mesma sala. Afinal de contas, o objetivo principal não é dar um salário a uns poucos políticos, mas montar um governo para tratar dos assuntos que interessam. Por causa da disputa em Valença, por exemplo, não se consegue extrair nada da prefeitura.

Conheço quem conseguiu encontrar um canto perfeito para morar e vai até casar, mas não pode nem começar a pagar pela casa porque a prefeitura não pode liberar a venda ainda – está tudo parado. Com tantas obras e questões a serem resolvidas na cidade, é difícil de entender como a situação chegou a tal ponto. Resta acreditar que o próximo prefeito eleito fará o que for melhor para a população. Mas quem vai pagar pelo transtorno causado até agora?

* Publicado no Jornal Local de Valença

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