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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Desacordo da lingua portuguesa

As vésperas do dia do professor, dois debates inflamam os ânimos de quem está de alguma forma ligada ao ensino: o acordo da língua portuguesa e a compra de monografias por universitários.


Por aqui, em Edimburgo, os brasileiros parecem achar que a melhor justificativa para as mudanças previstas na língua portuguesa é a sua consequente modernização. Muitos acreditam que a língua de Camões, o português falado em Portugal, é tão velho quanto o escritor. O argumento é baseado no fato de a ortografia de algumas palavras relembrar um passado distante no Brasil, como a própria palavra "fato" - em Portugal, escrita como "facto".

A justificativa oficial, porém, é outra: procura-se unificar o idioma para poder "vendê-lo" melhor.Há quem diga que a idéia é ensinar da maneira mais efetiva possível o português a estrangeiros, especialmente a falantes da língua inglesa - que entre os brasileiros, tem fama de serem bastante limitados neste sentido. Uma das razões para esse pensamento é o fato de o ensino da gramática ter sido banido das escolas britânicas há cerca de 15 anos. É difícil encontrar um falante nativo de inglês com essa idade que saiba sequer o que é verbo, preposição ou o modo imperativo, o que dificulta muito a aprendizagem de uma língua como o Português, ainda ensinada nas escolas de maneira tão elaborada.

Mas o tema encontra grande resistência entre os falantes do português que estão no outro lado da balança (e do Atlântico): aqueles que tem mais a perder com as novas regras. De acordo com fontes, o Brasil terá que modificar 0.5% de sua ortografia, enquanto que Portugal e os restantes países lusófonos que fazem parte do acordo arcam com 1.6%.

Portugal tem estado à frente dessa resistência, tendo sido o último a dar o seu aval. Entre os seus argumentos constam o custo que será "corrigir" todos os livros já publicados que serão reeditados e o empobrecimento da língua falada no país com a perda dos valores culturais inerentes à atual ortografia.

Os países lusófonos terão ainda de reeditar, obrigatoriamente, todos os livros escolares, o que representa um imenso disperdício na opinião de muitos. Com tantos problemas maiores a serem resolvidos, muitos portugueses têm um pé atrás quanto ao valor dado à questão.

>No caso do Brasil, esse é provavelmente apenas mais um dos problemas que assolam o sistema educacional no país. Em reportagem publicada no último fim-de-semana, o jornal O Globo conta como um repórter do "Diário de São Paulo" obteve uma monografia inédita através de um site na internet. Produzir um "texto longo e bem embasado" seria um fantasma que muitos estudantes tem de encarar para garantir o diploma, o que explica a popularidade de sites como "Monoweb" e "Monografia On-Line", citados na investigação.

Mas cabe aqui um porém. Partindo do princípio que a monografia é uma coisa chata e complicada de fazer, para não falar arcaica, como muitos acreditam que o português europeu é, o sistema educacional pode sempre repensar a proposta. Muitos cursos de graduação exigem um trabalho prático voltado ao curso que muitos alunos consideram uma maneira bem mais interessante de sintetizar todo o seu apredizado no curso. Dessa forma há menores possibilidades dos alunos valerem-se desses recursos para cumprirem suas metas de aprendizagem.

No entanto, vale ressaltar que isso seria apenas uma gota no oceano de problemas que enfrenta o ensino brasileiro. Tornar a aprendizagem mais dinâmica é um começo, mas o ensino universitário é apenas o fim do caminho para a formação profissional. Sem um ensino primário forte que dê uma boa base ao aluno, dificilmente ele chegará à faculdade.

As novas regras na ortografia podem ajudar a escrever melhor no Brasil, já que o trema, por exemplo. vai desaparecer, beneficiando àqueles que já o ignoravam por não saber da sua existência. Só não se sabe se os erros de português encontrados na monografia encomendada pelo repórter do "Diário de São Paulo" vão se resolver sozinhos devido ao novo acordo da língua portuguesa.

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