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sexta-feira, 16 de maio de 2008

A luta desigual

Se você não pode com eles, junte-se a eles - ou pelo menos minimize os efeitos causados. Parece imperar, na sociedade atual, a máxima de não confrontar de maneira definitiva os problemas, na linha de pensamento do "já que não tem jeito mesmo..."


O consumo de entorpecentes em nível mundial, principalmente entre os jovens, atingiu tamanha proporção que muitos já não conseguem conceber planos de contenção dessa tragédia. Ao invés de ações que procurem coibir o uso desenfreado, que provavelmente não resultarão em nada, autoridades começam a alertar a população para que corram o menor risco possível, mesmo que a maioria saiba que tomar drogas é, por si só, bem arriscado.

O pioneiro neste conceito é a Holanda, ao defender as propriedades benéficas da maconha. Na Eurocopa disputada no país, em 2000, o seu consumo, assim como o de haxixe, foi liberado nos estádios, enquanto o álcool foi proibido, inclusive na rua, devido à sua correlação a episódios de violência, bem documentada na literatura médica. Estudos indicam que o consumo não aumentou após a decisão.

O Brasil já começa a dar os seus primeiros passos em direção a uma descriminalização moderada de drogas. A aceitação de que o jovem paulistano consome ecstasy e abusa do álcool nas suas baladas de sábado à noite levou a prefeitura de São Paulo a sancionar recentemente uma nova lei. Será exigida a instalação de bebedouros nas boates para combater a desidratação, provocada pelo uso excessivo dessas substâncias, numa tentativa de evitar maiores problemas de saúde.

Já em Edimburgo, a mesma linha de medidas que procura evitar danos maiores foi adotada há algum tempo. Com um nível altíssimo de consumo de álcool entre os jovens, as autoridades estão mais preocupadas com os efeitos imediatos. Desde 2006, pelo menos, há uma campanha institucional voltada para as adolescentes. As meninas são alertadas para usarem roupas de baixo decente - ou pelo menos alguma roupa de baixo - ao saírem. A razão desta campanha é a quantidade alarmante de casos de estupro que acontece na noite. As meninas abusam do álcool, depois não conseguem chegar em casa e acabam despencando num banco de praça, desajeitadas e com tudo à mostra. Resultado: os meninos, também bêbados, podem acabar pensando que é "permitido", já que está tudo ali, como numa vitrine...

Não se pode mais sonhar com campanhas institucionais que visem esclarecer a população dos riscos do uso excessivo de drogas, todos já sabem deles e preferem corrê-los assim mesmo, ao que parece. Bons tempos aqueles de Portugal... Em 2004, o governo português fazia um apelo em cadeia nacional para que os veranistas não deixassem para trás os seus bichos de estimação. Todos os anos, dezenas de animais são abandonados pelos donos, que saem de férias e não tem aonde os colocar.

Apesar da indignação que isso possa causar a muitos, principalmente entre britânicos, que também têm fama de gostar mais de animais do que de gente, pelo menos o país não parece estar sofrendo, por enquanto, dessa tentativa de suicídio coletivo dos jovens. Provavelmente devido a tantos anos de regime salazarista e de conservadorismo. Mas qualquer um pode chega lá. É o fim da era da inocência.

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