Mães australianas com dificuldade de produzir o próprio leite materno estão recorrendo à internet para encontrar o precioso fluído para os seus rebentos, informou a jornalista brasileira Giovana Vitola, radicada em Sidnei. A reportagem publicada no site Operamundi.net foi linkada no blog do Globo "Explorando a Austrália" no dia 1º de julho.Segundo o texto publicado, há apenas dois bancos de leite no país, um no estado de Queensland, chamado Gold Coast, e outro na Austrália Ocidental. Mas eles não conseguem atender à demanda por pelo menos dois motivos: pela falta de verbas para testar o leite de doadoras e pelo fato de ambos os centros serem muito pequenos. O jeito encontrado por milhares de mães que vivem longe desses bancos, segundo Marea Ryan, coordenadora do Gold Coast, foi buscar leite materno com individuais, criando um verdadeiro mercado negro.
A citada coordenadora, em entrevista ao Opera Mundi, alertou para o perigo de tal prática, já que o leite conseguido dessa forma não tem qualquer controle de qualidade. O risco de transmissão de doenças como o Hiv e a hepatite é enorme, não sendo recomendado em hipótese alguma pelo governo. A reportagem ainda revela que apenas há cinco anos as autralianas começaram a se conscientizar da importância do leite materno no desenvolvimento dos bebês. Elas teriam sidos levadas a crer, durante anos, que leite materno e leite de fórmula teriam o mesmo valor nutritivo.
A alta ocorrência de cesarianas no país também é ressaltada como sendo uma prática arriscada e desnecessária. Diversos estudos afirmam que o parto natural é a forma mais rápida e segura de recuperação da mulher após a gestação, já que estimula a produção de leite materno. A amamentação regular durante os seis primeiros meses de vida do bebê faz a mãe recuperar a sua forma pré-gravidez e oferece uma barreira imunizadora ao pequeno.
No Brasil, a imagem no inconsciente da mulheres sobre a maternidade é sempre a do exato momento da amamentação, de segurar aquele pequeno ser nos braços e levá-lo ao peito. As campanhas pelo aleitamento materno no país vem já de longa data e conta com muitos aliados, entre governo e dezenas de entidades não-governamentais. Mas na maioria dos países da Europa Ocidental o assunto ainda é tabu.
Apesar de contar com alguns poucos bancos de leite, mantidos por associações independentes, o Reino Unido ainda está muito atrás da capacidade brasileira de suprir a demanda. Uma das razões é a ideia errônea que as britânicas tem da procedência desse material. Mas não se está falando apenas de leite materno de origem desconhecida. Na cultura desse povo tão polido e reservado, amamentar seria considerado anti-higiênico. Por isso tantas mães optam por darem leite de fórmula.
A maternidade, no Reino Unido, é considerada uma condição especial, não uma doença, e por isso as grávidas são acompanhadas por parteiras, e não por médicos. Palavras das próprias parteiras, que são na verdade enfermeiras treinadas em partos. Muitas das mães que decidem amamentar acabam tendo que frequentar grupos de aleitamento materno para esclarecer as suas dúvidas com outras mães que estão no mesmo processo. E mesmos essas tem grande resistência a doar leite, mesmo levando em consideração a necessidade dos receptores. A prioridade em todo banco de leite, é claro, vai para os bebês prematuros ou doentes.
Portugal é outro país europeu que não tem como norma a doação de leite materno. Mais uma vez, um problema mais cultural que técnico. Muita gente acha repugnante a ideia de trocar fluídos corpóreos com outras mulheres. Somente no ano passado os hospitais portugueses começaram a mostrar algum interesse em receber e armanezar. Ao que consta, os europeus mais cordatos seriam, por sua vez, os espanhóis e os italianos. Pelo menos são eles os que não se mostram espantados com a ideia quando perguntados.
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