Nem todo mundo está acostumado a mudanças. Quem não consegue ultrapassar a barreira do “normal” acaba perdendo a chance de provar coisas novas. Talvez nem tudo deva ser mudado, mas algumas modificações podem dar um sabor todo especial a um gosto conhecido.
Contudo, tenho minhas dúvidas quanto à pizza tropical. Concordo com um dos melhores cronistas do nosso tempo, o Veríssimo, e repudio um prato que mistura presunto e abacaxi. Com tantas opções salgadas que existem por aí – porque aqui, no Reino Unido, nem queijo catupiry tem – não vejo razão para colocar uma fruta ácida e doce junto com uma fatia de carne numa base que parece biscoito depois de assada.
Em uma viagem à Taiwan, meu marido ficou sabendo onde encontrar caldo de cana. Para a sua surpresa, ele descobriu que nesses locais havia também a opção de se tomar a bebida quente também – mesmo no verão, com temperaturas que podem beirar os 30º. Ele também encontrou – pasmem – pão de queijo. Em três sabores (?!): convencional, de morango e de chocolate.
Pão de leite com gotas de chocolate. Meu filho adora, é o seu café da manhã preferido. Em compensação, alguns lugares exageram na hora de usar o chocolate, esse delicioso alimento energético. Em Portugal, por exemplo, há queijos com gotas de chocolate. Onde mais podemos encontrá-lo, se intrometendo em comidas que absolutamente não lhe dizem respeito, como uma pizza? O Brasil parece especializado neste tipo de mistura – quem não se lembra dos vinhos Canção, com sabor de pêssego, morango, abacaxi, etc? Coisa digna de revirar o estômago de italianos e franceses, respectivamente pela pizza e pelo vinho.
Eu acho que o problema principal consiste em como uma sociedade se apropria da cultura alheia e a transforma. Os donos originais da ideia sempre acabam torcendo o nariz. Em última análise, a maioria das pessoas que se julgam de mente aberta provam, sem hesitar, pratos da culinária local. Mas não mexe no meu pão de queijo!

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