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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ao mestre, coitadinho

Para Magno de Aguiar Maranhão, educador e Presidente da Associação de Ensino Superior do Rio de Janeiro, a profissão de educador está desaparecendo, tanto pelas mudanças tecnológicas quanto pela falta de incentivo governamental. E ao que parece o problema não é nem de longe exclusivamente brasileiro.

Segundo artigo seu publicado em setembro no jornal o Globo, a Unesco já tem em conta que a meta mundial de educação para todos até 2015 não será atingida tão cedo. Mas no Brasil a situação deteriorou-se a níveis alarmantes, mesmo comparando com países onde há - teoricamente - menor desenvolvimento econômico.



As opiniões a respeito se dividem, e enquanto a Secretária Estadual de Educação de SP afirma que não há relação direta entre salário e qualidade de ensino, a não ser pela valorização do profissional, o secretário do sindicato do mesmo estado revida mostrando como trabalhar em dois ou três turnos no mesmo dia para compensar a diferença prejudica o serviço oferecido. Avaliações do ensino publicadas recentemente apontam para um fraco desempenho dos alunos, que terminam o ensino médio com capacidade de 8ª ou até mesmo 4ª série.

No Rio, situação parecida acontece no ensino fundamental, já que o estado conta com estatísticas negras a respeito da quantidade de alunos que chegam a terminar o antigo 2º grau. A deficiência já começa na pré-escola. Em Valença, por exemplo, poucas são as crianças que vão para o CA ou 1ª série sem terem passado por uma pré-escola, enquanto que na capital Rio de Janeiro há uma carência enorme na área. Muitas crianças chegam à época de serem alfabetizadas sem terem a mínima noção e conhecimentos básicos para realizarem tal tarefa.

Mas o salário maior dos professores cariocas (um pouco mais do que o dobro de Valença) não compensa exatamente a falta de infra-estrutura enfrentada diariamente pelos mesmos. Afinal, um bom salário mas péssimas condições de trabalho - não só falta de pessoal e material escolar, mas às vezes itens mais básicos ainda, como papel higiênico - também não ajuda. A defasagem no desempenho dos alunos faz com que o estado figure entre os piores a nível nacional. O que se ensina numa 4ª série no Rio pode muito bem já ter sido aprendido por crianças que em Valença estão cursando a 2ª série.

Ao menos o salário mínimo dos professores da rede pública pode ganhar um novo fôlego. Há um projeto de lei que estabelece piso salarial de R$ 950 mensais tramitando há cerca de sete meses no congresso, e na semana passada foi aprovada uma medida para que a União repasse recursos aos estados e municípios que comprovarem falta de condições para pagar o valor fixado. O objetivo é acabar com as desigualdades e valorizar o profissional e é claro que é uma grande ajuda nas atuais condições. Mas só isso não redime a sociedade em geral, que precisam arcar com as consequências de salas de aula superlotadas e professores trabalhando a "giz e cuspe".

No início deste ano, uma pesquisa havia mostrado que a maioria dos alunos que deixava a escola não o fazia para trabalhar e ajudar os pais na renda familiar, mas porque a escola que está aí não é mais atraente para os jovens. Eles vêm muitos outros brasileiros se conectando à Internet e interagindo com o mundo nas novelas e se sentêm justamente excluídos.

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