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sexta-feira, 28 de março de 2008

A prática leva à perfeição

Quanto mais tempo você viver no exterior, mais adaptado à área você vai ficar, certo? Especialmente se a língua é diferente. Você aprende a nova língua e passa a fazer parte daquele grupo. Mas sempre há o risco de você perder as suas raízes.


Veja o caso dos brasileiros que vivem no Reino Unido. Se o brasileiro chega aqui sem muito conhecimentos de inglês, acaba passando por um estranho fenômeno de adaptação à língua, que eu chamarei aqui de "portuglês" (em analogia ao "portunhol", bastante popular no Brasil). Esqueçam os "falsos amigos", pois nem sempre eles são o maior problema, embora em português o correto é dizer "falsos cognatos" (false friends). O inglês até tem a expressão "false cognates", querendo dizer que duas palavras são parecidas (independente do significado) mas que não têm as mesmas raízes.

Confuso? A princípio todos ficam e este grupo de palavras e expressões deve ser uma das principais dores de cabeça de um imigrante. "Entender" pode virar to intend, e quando alguém pretende fazer algo pode acabar "fingindo" (porque este é que é o significado de to pretend). Entende? Mas tudo passa. Aprendida a diferença entre estes e outros (balcony, por exemplo, não é balcão, é varanda de prédio ou sacada, enquanto que balcão pode ser traduzido por counter), acredito que o pior pesadelo são as preposições em inglês, pois nem sempre elas fazem sentido. Embora aprendamos na escola que in significa movimento para dentro, out para fora, up para cima e down para baixo, nada disso ajuda na hora em que as preposições acompanham os verbos, mudando completamente o seu sentido. O verbo to get é um exemplo disso. Get up é fácil, é levantar (da cama), mas e give up e meet up? Não tem nada a ver com levantar coisa alguma. Get out é sair (de algum lugar), mas work out não é trabalhar fora ou sair do local de trabalho, pode ser malhar o corpo ou resolver um problema.

Para mim, que adoro línguas, o fato mais interessante que encontrei após a convivência constante com brasileiros nos exterior é o modo como os falantes da língua portuguesa se adaptam à língua do lugar. Mesmo em Portugal, onde oficialmente a língua é a mesma, isso pode acontecer. O falante do português brasileiro sempre acaba integrando vocábulos da nova língua no seu linguajar e volta ao Brasil querendo "apanhar" o "comboio" na Central do Brasil até uma estação do "Metro" (com sílaba tônica no "me"), ou conhecer os "eléctricos" de Santa Teresa. Tudo isso com sotaque brasileiro mesmo, falando "feliz" com duas sílabas, e não como em "flis", que é às vezes como soa para nós a mesma palavra dita por um português.

No caso do inglês a coisa se torna ainda mais interessante, senão mais complicada. Mas o aportuguesamento da língua inglesa provavelmente só é um problema se o falante de português estiver ensinando a língua de Camões para alguém. Estive recentemente trabalhando em um dicionário Português-Inglês e surgiram várias questões quanto à tradução de diversas palavras. No meu caso, andei meio enferrujada do nosso idioma mas acabei pegando o jeito de novo ao voltar a falar em português com meu marido. Em tempos: somos ambos brasileiros mas conversamos muito em inglês em público pois temos amigos de várias nacionalidades aqui em Edimburgo.

Entre os termos mais usados e confundidos pelos brasileiros destaco as palavras "bucar",
"apontamento", "aplicar/aplicação", "confidência/confidente" e "conservativo". Não sabe o significado? Vamos lá à explicação: "bucar" significaria marcar (consulta, lugar para um evento), que em inglês é to book. Sentiram a semelhança? E booking an appointment com o seu médico acaba virando "bucar um apontamento" ao invés de marcar uma consulta.

Aplicar e aplicação vêm do mesmo problema de significado. Apply for a job acaba virando "aplicar para um emprego" quando o brasileiro não lembra mais que em português a gente se candidata a um emprego. E ainda fica esperando pelos resultados de sua aplicação ao emprego, quer dizer, de sua candidatura. Também há aquelas pessoas que são muito seguras de si e têm muita "confidência" (de confidence) nas suas habilidades ou são muito "confidentes" (de confident), querendo dizer, respectivamente, confiança e confiante. Já "conservativo" foi a solução encontrada para traduzir
conservative, conservador. Surgindo mais exemplos interessantes como estes eu "posto" (de to post) na próxima vez.

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