Os jovens brasileiros querem uma agenda comum que cubra as áreas de educação, trabalho, transporte, cultura, segurança e ecologia, sugere pesquisa desenvolvida pelo Instituto Polis e pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) em 2007. Eles estão entre os 960 jovens e especialistas do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia) que participaram do estudo.Em comum, esses jovens preocupam-se com o próprio futuro, mas de maneira ecológica. Querem educação gratuita e de qualidade, que não interfira com o trabalho (de justa remuneração) nem com a vida cotidiana. Sem falar na melhoria do sistema de transporte, que muitas vezes é um fator de abandono escolar por ser caro ou não ser confiável.
A cultura transmitida através das manifestações locais e o acesso às novas tecnologias de informação e comunicação são outras das prioridades destes jovens na luta contra as desigualdades sociais, fator apontado como um dos principais vetores da violência urbana.
O único ponto da agenda para o qual os próprios não oferecerem uma solução, a ecologia, foi por sua vez alvo de uma recomendação dos pesquisadores do trabalho, intitulado "Juventude e Integração Sul-América". Apesar da eminente preocupação em preservar o meio-ambiente, a falta de conhecimento sobre o assunto ecologia sugere que é preciso ampliar a educação ambiental e fortalecer novas áreas profissionalizantes, como o turismo ecológico.
O estudo vêm ao encontro da necessidade atual de preservar os recursos naturais, em vista do aquecimento global, uma das piores ameaças ao planeta dos últimos 20 anos. Apesar do Protocolo de Quioto, que culminou uma série de conferências iniciadas no final dos 80 sobre o assunto, muitos países desenvolvidos persistem em políticas anti-ecológicas e mantém altos níveis de emissão de gases tóxicos, praticam desmatamento e não incentivam a agricultura familiar.
Algumas instituições buscam sanar parte do problema oferecendo alternativas ecologicamente viáveis à produção das grandes indústrias, como a Fairtrade Foundation. A política de fairtrade (comércio justo) tem garantido que muitos produtos produzidos em países mais pobres sejam adquiridos pelo preço de mercado. No Reino Unido já há cinco variedades de bananas importadas sob o selo, garantindo uma melhoria considerável na qualidade de vida dos pequenos produtores.
A maior rede de supermercados britânica, a Tesco, foi pioneira em 2001 ao vender bananas da Dominica. Na época, a ilha caribenha era assolada por gangues e a violência crescia descontrolada devido ao plantio ilegal de drogas ilícitas, já que plantações legais não rendiam o suficiente para a sobrevivência da comunidade. Segundo o jornal gratuito britânico Metro publicou esta semana, desde então os plantadores de banana deram a volta por cima ao usarem o dinheiro do pagamento pelos seus produtos para melhorar o cultivo, gerando uma produção maior e mais lucro. À medida que o dinheiro foi entrando, novas iniciativas revitalizaram a região graças aos programas sociais voltados para os jovens, que tem agora melhores oportunidades.
No Brasil, ações de comércio justo foram desenvolvidas a partir dos anos 70, quase uma década após a idéia ter surgido. O suco de Paranavaí/PR, comercializado pela Paranavaí Citrus S/A para a Alemanha, Suíça e Áustria, por exemplo, já é considerado um dos melhores entre os consumidores europeus. Atualmente, o Brasil já iniciou estudos de incentivo às exportações de pequenos produtores agrícolas e de artesanato. Muitas dessas iniciativas contam com o apoio de ONGs como a Viva Rio e a Visão Mundial Brasil. De acordo com a empresa Ética-Comércio Solidário, dezenas de comunidades em diversas regiões do país já foram beneficiadas com a adoção do selo Fair Trade, a exemplo do que aconteceu na Dominica. No site da empresa é possível encontrar mais informações a respeito do tema em http://www.eticabrasil.com.br/site/index.php. Já o jornal o Globo disponibilizou um link para acessar um resumo da pesquisa sobre os jovens do Mercosul.
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