Apesar
do sistema educacional do Reino Unido ser completamente diferente do
brasileiro e, portanto, assunto suficiente para um post à parte, não
é dele que se trata. É da boa e velha educação que as mães
passam para os seus filhos no dia a dia, ensinando a agradecer, a
pedir licença e a dizer por favor. Muito foi falado recentemente do
Japão pós tsunami e da educação daquele povo que, mesmo diante de
uma das maiores catástrofes da sua história, permaneceu resoluto
aos seus valores. O país surpreendeu-se com o espanto mundial à
falta de saques, roubos e violência.
No
Reino Unido, por outro lado, cortes em benefícios geraram uma onda
de protestos que culminaram em roubos a lojas por consumidores
insatisfeitos por não poderem consumir mais, uma história bem
diferente. Apesar disso, no dia a dia o britânico possui uma
educação exemplar em relação a outros europeus. São
particularmente notáveis as expressões “com licença” e “por
favor”, usadas, de certa forma, diferentes do que no Brasil.
Quando
você tem alguém na sua frente andando mais devagar, o mais
“educado” é esperar que a pessoa em questão perceba que você
quer passar. A maioria não diz “com licença” para pedir
passagem porque, por alguma razão estranha, esta expressão soa
bastante grosseira na língua portuguesa, até mesmo pedante. Parece
que a pessoa que diz “com licença” é a dona da rua. O mesmo não
se pode dizer de “excuse me”, que soa muito mais educado e,
portanto, é usado à regalia.
No
Brasil, você pede um hambúrguer no McDonald's dizendo: “Eu quero
um hambúrguer”, ou “ “Eu vou querer um hambúrguer”. O
próprio atendente já pergunta: “O que você vai querer?”,
levando a esse tipo de resposta. Em inglês, você não quer nada –
isso é grosseiro. Você diz que vai ter um hambúrguer –
presumivelmente, depois que o atendente te der um.
Outra
coisa é o trato entre membros da mesma família. Brasileiros podem
perfeitamente dizer algo como: “Você pode abrir aquela janela para
mim?” sem que isso soe grosseiro. Em inglês, você precisa dizer
“please”, por favor, no fim de todos os pedidos. “Can you open
that window for me, please?”. É como um comediante de Glasgow
disse em um dos seus shows: “Nesta cidade, você pode acabar sendo
esfaqueado, mas o esfaqueador vai te dar a direção correta para o
hospital...”

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